
Agitação ou TDAH?
A partir de que idade é possível perceber que uma criança tem TDAH?
A criança com a síndrome tem um comportamento peculiar, que pode ser observado a partir dos 4 anos, já que nessa idade a questão da atenção e da movimentação dela já é um pouco mais definida. Ela tem uma organização motora capaz de fazê-la ficar sentada por alguns períodos quietinha ou então ter uma movimentação razoável, e também já é capaz de prestar atenção.
A atenção dela começa a se estabelecer e por isso é com essa idade que a criança começa a aprender as cores, as formas, etc., até que, aos seis anos, aquela que não tem o transtorno já está alfabetizada. Os casos ficam mais aparentes aos 7 anos, quando está na primeira série. A criança sem o transtorno vai para o recreio e corre, corre, corre. Depois volta para a sala, senta-se e começa a fazer a lição. Já a que apresenta TDAH volta para a sala e continua correndo. É preciso observar a quantidade do movimento, a profundidade e a quantidade de energia que é gasta o tempo todo, pois ela não pára mesmo.
Existem crianças que tem o TDAH mas não são hiperativas? Qual a diferença entre os casos?Sim. As meninas em geral só têm transtorno de déficit de atenção. São aquelas meninas que sentam no fundo da classe, que a orientadora nunca viu, que são tidas como superboazinhas. O problema é que elas sofrem muito. Existem também os alunos que, além do déficit de atenção, apresentam hiperatividade; e, ainda, aqueles que são extremamente impulsivos. O problema disso é que, se isso for deixado para o futuro, a hiperatividade diminui. Então, quando a criança chega aproximadamente aos 14 anos, uma determinada região do cérebro, que é responsável pela hiperatividade, fica praticamente igual tanto nos hiperativos quanto nos não-hiperativos.
Já em relação à questão da atenção, se não for feito nada pela pessoa, ela vai ficar cada vez mais prejudicada, porque a atenção é uma coisa voluntária que é preciso treinar para ter e, quando a pessoa não consegue treinar esse “prestar atenção”, esse selecionar e trocar estímulo, com o passar do tempo não ganha o hábito. Podemos fazer uma comparação com “escovar os dentes”. Embora seja uma ação automática, é necessário aprender a fazer para depois fazer bem sempre.
Tem cura?
A TDAH não tem cura. Ela é como o diabete: o portador da síndrome tem de aprender a conviver com ela. O que vemos nos consultórios de psicopedagogia é que a terapia sozinha, em muitos casos, dá muito certo. Por outro lado, há uma parcela de crianças que, depois de as atendermos de seis meses a um ano, podemos constatar que realmente precisam um exame médico para que seja receitada uma medicação adequada. A partir daí, podemos trabalhar apenas para ajudar a diminuir o sintoma.
Caso contrário, não há como trabalhar com uma criança que não consegue prestar atenção e não consegue parar nem um pouco. Assim, é impossível fazer com que ela aprenda as funções básicas. A criança precisa desenvolver estratégias de pensamento, como qualquer um de nós. A diferença é que conseguimos fazer isso por nós mesmos, enquanto ela precisa de um caminho para isso. E essas crianças têm condições, porque, em sua maioria, são inteligentes, mas o fato é que algumas, por razões morfológicas, não conseguem desenvolver essas estratégias e, por isso, não são capazes de planejar e de prever uma conseqüência porque, para elas, essas coisas não estão concatenadas.
Em que casos os pais devem levar a criança para fazer uma avaliação com um psicopedagogo?
Quando percebem que o seu filho é distraído demais, que ele perde muitas coisas na escola, larga o material em qualquer canto, a todo momento dá uma resposta sem muito sentido ou agressiva, fica o tempo inteiro interrompendo todos e recebem muita reclamação na escola de que ele não pára na classe, não pára de falar, que o caderno dele está muito mal cuidado ou que a letra dele é ruim. Nesses casos, é preciso que os pais avaliem se ele tem vários desses sintomas e o comparem com outras crianças para saber se esses sintomas são excessivos. Se perceberem que a criança está com esses problemas, devem buscar ajuda correndo.
Se, de 4 para 5 anos, a criança não começa a se acalmar, a prestar atenção, não consegue fazer uma seqüência correta, não consegue saber os meses do ano, não consegue decorar coisas desse nível, começa a ter dificuldade de ficar sentado a não ser que seja na frente da televisão, não se entretém ou quando se entretém faz um escândalo para mudar de atividade. Os pais devem fazer uma consulta com um psicopadagogo para iniciar um tratamento.
As crianças portadoras do TDAH não conseguem, sozinhas, selecionar estímulos nem manter ou mudar o foco da atenção. Muitas vezes, por falta de informação, elas são vistas simplesmente como mal-educadas ou sem limites no meio social.Segundo a especialista em Psicopedagogia Maria Irene Maluf, o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, conhecido como TDAH, é uma síndrome que, quando diagnosticada cedo e tratada corretamente por profissionais, pode fazer parte da vida da criança sem causar sérios problemas em seu dia-a-dia. Ela afirma que é possível aprender a conviver bem com o transtorno.
Para Maria Irene, sua causa ainda não está perfeitamente definida, mas já se sabe que diz respeito a três aspectos: o biológico (que é a parte genética e hormonal), o psicológico e o social. “É um transtorno de origem biopsicossocial, ou seja, não se pode separar a causa genética da psicológica e da social. Para que a criança desenvolva o transtorno, é preciso que ela nasça com uma predisposição genética e ainda tenha uma estimulação do meio para desenvolver, em maior ou menos grau, esse transtorno”, explica.
Seus sintomas acabam fazendo com que o portador aja de forma diferente do padrão e, em alguns casos, implica também em problemas psicológicos que podem agravar o caso. As crianças com a síndrome têm muito problema em casa e na escola, muitas vezes são confundidas com crianças mal-educadas e sem limites. Antes que um diagnóstico seja feito - e, em muitos casos, até depois disto – as crianças sofrem com o preconceito dos seus educadores (pais e professores) e, por não receber o tratamento adequado, podem ter seu desenvolvimento intelectual e social retardado.
É importante ressaltar que alguns sintomas isolados não significam que a criança tenha TDAH. “É preciso que ela tenha vários deles e que os pais comparem com outras crianças para saber se esses sintomas são excessivos”, diz a especialista. “Quando a questão da desatenção e da agitação excessiva pode ser controlada pelo indivíduo ou pelo meio de modo eficaz, ao longo de várias horas e em diferentes situações, dificilmente se trata de uma criança ou um jovem com TDAH”, completa. Mas somente um profissional poderá diagnosticar se a criança é apenas agitada, com poucos limites ou se é portadora do transtorno. Entender a síndrome, suas causas e conseqüências é o primeiro passo para um tratamento bem-sucedido.
Em entrevista ao portal, a presidente Nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), Maria Irene Maluf, falou sobre esse transtorno, que ainda gera muita dúvida entre pais e professores, e explicou como lidar com ele em casa e na escola.
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